Um pouco da arquitetônica Olinda

    Em 2012, Olinda vai comemorar 30 anos como Patrimônio Cultural da Humanidade. Sua arquitetura quatrocentista, mantida quase que intacta e espalhada em cada trecho da cidade, lhe assegurou o título concedido pela Unesco, em 1982. Mas seus encantos vão além dos prédios históricos e igrejas. Sua natureza exuberante e a cultura nativa deslumbram os turistas.

"Olinda é uma cidade incrível, sua arquitetura e paisagem natural são estonteantes", define a designer gráfica e fotógrafa Thaís Navarro, que visitou a cidade durante o carnaval de 2010.

    Para comemorar as três décadas de tombamento, os olindenses ganharam, no mês passado o Elevador Panorâmico. Construído no ponto mais alto de Olinda e no antigo prédio da caixa d’água, que até hoje abastece a cidade, o Elevador é um mirante que permite uma vista de 360 graus da cidade. De lá se avista o Farol, as torres das 22 igrejas e a vizinha Recife.

    Com ruas em paralelepípedo e muitas ladeiras, Thaís ressalta que é preciso preparo físico para desvendar os segredos de Olinda e conhecer todos os pontos turísticos. "Até porque as paisagens mais bonitas são vistas dos pontos altos da cidade", diz.

    E não são poucos os pontos culturais e arquitetônicos. Olinda conta com 22 igrejas históricas, 11 capelas e mais de 560 casarios dos séculos 16, 17 e 18. Casas com as fachadas conservadas pelos seus próprios donos e mantidas há várias décadas na mesma família, passadas por herança.

    Para o diagramador Paulo Roberto Gallo, Olinda "respira" cultura e história. "Essa é a grande diferença de Olinda para Recife, que de tão perto o turista nem sempre consegue distinguir o limite entre as duas. É um lugar em que parecemos estar em outro tempo, pela arquitetura de seus casarios. Além do seu povo simpático e hospitaleiro", define Gallo.

                                                         

 

O MASP

    O Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (mais conhecido pelo acrônimo MASP) é uma das mais importantes instituições culturais brasileiras. Localiza-se, desde 1968, na Avenida Paulista, cidade de São Paulo, em um edifício projetado pela arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi para ser sua sede. Famoso pelo vão-livre de mais de 70 metros que se estende sob quatro enormes pilares, concebido pelo engenheiro José Carlos de Figueiredo Ferraz, o edifício é considerado um importante exemplar da arquitetura brutalista brasileira e um dos mais populares ícones da capital paulista, sendo tombado pelas três esferas do poder executivo.

    Instituição particular sem fins lucrativos, o museu foi fundado em 1947, por iniciativa do paraibano Assis Chateaubriand e do ítalo-brasileiro Pietro Maria Bardi. Ao longo de sua história, notabilizou-se por uma série de iniciativas importantes no campo da museologia e da formação artística, bem como por sua forte atuação didática. Foi também um dos primeiros espaços museológicos do continente a atuar com perfil de centro cultural, bem como o primeiro museu do país a acolher as tendências artísticas surgidas após a Segunda Guerra Mundial.

    O MASP possui a mais importante e abrangente coleção de arte ocidental da América Latina e de todo o hemisfério sul, em que se notabilizam, sobretudo os consistentes conjuntos referentes às escolas italiana e francesa. Possui também extensa seção de arte brasileira e pequenos conjuntos de arte africana e asiática, artes decorativas, peças arqueológicas etc., totalizando aproximadamente 8 mil peças. O acervo é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). O museu também abriga uma das maiores bibliotecas especializado em arte do país.

 

   BRASÍLIA A CIDADE PASSARO.

 A arquitetura de Brasília, mesmo cinquentenária, ainda impressiona pela modernidade e ousadia. O Plano-Piloto do projetista urbanístico e também artista plástico Lúcio Costa e as formas curvas das plantas do arquiteto Oscar Niemeyer são a principal marca da capital do Brasil, que comemora 50 anos nesta quarta-feira (21).

    Quando o presidente Juscelino Kubitschek tomou posse, em 1956, convocou o arquiteto e amigo Oscar Niemeyer para chefiar o que chamou de Departamento de Urbanística e Arquitetura, encarregando-o de abrir um concurso para a escolha do projeto da cidade.

    Em março de 1957, uma comissão julgadora constituída por sir William Halford, Stano Papadaki, André Sive, Oscar Niemeyer, Luís Hildebrando Horta Barbosa e Paulo Antunes Ribeiro escolheu a proposta do arquiteto e urbanista Lúcio Costa, que sempre sustentou a qualidade plástica da arquitetura.

 

     A cidade-monumento, com formato de uma ave com asas abertas, impulsionou o design gráfico e inaugurou no Brasil o movimento do Construtivismo, surgido na primeira metade do século 20.

    De acordo com Grace Freitas, em seu livro “Brasília e o projeto construtivo brasileiro”, o Construtivismo é “baseado em relações com o pensamento, o espaço-tempo-movimento, a técnica, os materiais, a arte, a indústria, e a, ainda, com a institucionalização da geometria abstrata”.

    Até a forma como dividiram Brasília tem um quê poético; quatro escalas: monumental, residencial, gregária e bucólica. Essa divisão é o que dá sentido à cidade, segundo Lúcio Costa.

    “A escala residencial ou quotidiana... a dita escala monumental, em que o homem adquire dimensão coletiva; a expressão urbanística desse novo conceito de nobreza... Finalmente a escala gregária, onde as dimensões e o espaço são deliberadamente reduzidos e concentrados a fim de criar clima propício ao agrupamento... Poderemos ainda acrescentar mais uma quarta escala, a escala bucólica das áreas abertas destinadas a fins-de semanas lacustres ou campestres”, explicou.

Os prédios do governo recebem a assinatura de Niemeyer

    Embora se credite o êxito do resultado final de Brasília a diversos nomes, a beleza e a modernidade dos prédios do governo que ornamentam a capital brasileira são de responsabilidade exclusiva de Oscar Niemeyer. Nestas estruturas criativas e visionárias, o arquiteto implementou o que havia de mais atual em termos de técnicas arquitetônicas.

 

    O maior cartão postal da cidade, a Esplanada dos Ministérios foi projetada pelo arquiteto para acomodar os diversos ministérios que compõem o Governo Federal. Ao todo são 17 edifícios de dez andares, construídos conforme um padrão de uniformidade e distribuídos de forma harmoniosa em um extenso gramado.

    As cúpulas presentes no Congresso Nacional, lar dos plenários da Câmara e do Senado, foram inspiradas nas construções egípcias e romanas. Também finalizado no ano de 1958, o edifício ainda é composto por dois prédios administrativos com 28 andares cada que, segundo o responsável pelo projeto, têm a finalidade de quebrar a linha horizontal presente na esplanada.

     "Arquitetonicamente, um prédio como o do Congresso Nacional deve ser caracterizado pelos seus elementos fundamentais. Os dois plenários são no caso esses elementos, pois neles é que se resolvem os grandes problemas do país. Dar-lhes maior ênfase foi o nosso objetivo plástico, situando-os em monumental esplanada onde suas formas se destacam como verdadeiros símbolos do poder legislativo” explicou Niemeyer.

 

    A residência oficial dos chefes de Estado também é obra do arquiteto. O palácio da Alvorada, localizado às margens do lago Paranoá, foi um das primeiras construções a ser concluída na nova capital federal. O edifício é um dos mais emblemáticos da cidade e, em razão desta notoriedade, parte de sua estrutura (as colunas, mais especificamente) acabou por inspirar o brasão do Distrito Federal.

 

    De acordo com Oscar Niemeyer, o projeto da residência oficial primou pela simplicidade de formas e pela pureza que, no passado, caracterizaram grandes obras da Arquitetura. Em razão da sobriedade empregada em grande parte do edifício, o arquiteto julgou que as colunas de sua fachada mereciam receber certo destaque.

    "Dedicamos às colunas, em virtude disso, a maior atenção, estudando-as cuidadosamente nos seus espaçamentos, forma e proporção, dentro das conveniências da técnica e dos efeitos plásticos que desejávamos obter. Estes nos levaram a uma solução de ritmo contínuo e ondulado, que confere à construção leveza e elegância, situando-a como que simplesmente pousada no solo", destacou.

    O palácio do Planalto, por sua vez, foi palco para que o artista do concreto exercitasse toda a sua liberdade plástica. Seu projeto é marcado pelo requinte das linhas e suas colunas, apesar de grandes e pesadas, parecem pousar levemente sobre o solo.

 

    Sobre o processo de concepção desta obra em especial, Niemeyer comentou: "Primeiro separei as colunas do edifício e imaginei-me a caminhar entre elas. E senti que as devia fazer diferente, criando novos pontos de vista. As regras limitadoras de pureza estrutural não me preocupavam. Plasticamente, o projeto se subordina às conveniências de unidade que a Praça dos Três Poderes requer, procurando manter o sentido de pureza e criação predominante em todas as construções de Brasília”.

 

    Outra construção que chama a atenção pela singularidade é a Catedral. Na descrição do próprio Niemeyer, o prédio, construído em 1958, foi planejado de modo que priorizasse a presença de luminosidade. "Na Catedral, por exemplo, evitei as soluções usuais das velhas catedrais escuras, lembrando o pecado. E, ao contrário, fiz escura a galeria de acesso à nave e esta toda iluminada, colorida, voltada com seus belos vitrais transparente para os espaços infinitos”, disse o arquiteto.

    Brasília possui diversas leis que proíbem qualquer mudança em seu projeto sem a aprovação prévia do Governo Federal. Algumas delas, inclusive, foram criadas pelo próprio responsável pelo projeto urbanístico da cidade, Lúcio Costa. A cidade é considerada patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para Cultura, Ciência e Educação (UNESCO).